Você conhece o primeiro telefone celular da história?

O Inventor do Telefone Celular: “Sabíamos que um dia, todas as pessoas teriam um”.
Cooper tencionava que as pessoas pudessem se comunicar através de seus telefones de modo que, juntamente com a Motorola, embarcou em um projeto voltado para a criação de um dispositivo mais portátil.

   
 
(CNN) – Era do tamanho de um tijolo e passou uma década até que o aparelho estivesse disponível comercialmente. Mas, tal como Cooper demonstrará nas ruas de Nova Iorque, ele funcionava perfeitamente.

O conceito de tecnologia celular já tinha sido criado pelo principal concorrente da Motorola, a AT&T, empresa que, através de seus laboratórios Bell Labs, conseguiu introduzir um sistema que permitia a transmissão de chamadas de uma célula para outra, enquanto permanecia no mesmo canal. Mas a AT&T tentava aplicar essa tecnologia em um telefone para veículos.

Cooper esperava que as pessoas pudessem se comunicar através de seus telefones, inclusive fora de seus veículos. De modo que, juntamente com a Motorola, embarcou em um projeto voltado para a criação de um dispositivo mais portátil.

A Motorola passou três meses construindo um protótipo de terminal móvel portátil, que seria exibido publicamente por Cooper em abril de 1973. O primeiro celular comercial da empresa, o “DynaTAC”, foi lançado no mercado 10 anos depois.

Cooper, atualmente com 81 anos, é o fundador da ArrayComm, empresa que trabalha para melhorar as redes celulares, as antenas inteligentes e as comunicações sem fio. Ele e a sua esposa também inventaram o Jitterbug: um celular simplificado orientado a pessoas idosas.

Cooper se surpreendeu quando sua linha terrestre causou a interrupção da chamada. Ao ligar novamente a seu celular, tivemos a oportunidade de lhe perguntar sobre a criação do aparelho que veio a revolucionar o mundo das comunicações.

 

 

  

 

 

 

 
Martin Cooper estabeleceu, em 1973, o que foi conhecido como a primeira chamada celular pública em Nova Iorque.  

 
A seguir, leia uma transcrição editada da conversa mantida com Cooper:

CNN: Como era o ambiente tecnológico em 1973? Qual foi sua inspiração para criar o celular e concorrer, assim, com o telefone para veículos da AT&T?

Cooper: Não existia nenhum circuito integrado de grande escala, nem computadores, nem televisão por circuito fechado, nem telas de LCD. Não posso mencionar tudo o que não existia em 1973, mas tínhamos estado construindo telefones para veículos durante anos e (na Motorola) acreditamos que era a hora da comunicação pessoal, porque as pessoas são móveis por natureza.
Durante 100 anos, quem desejava falar por telefone devia ficar amarrado ao seu escritório ou a qualquer outro lugar de seu lar onde existisse uma linha telefônica fixa e, agora, iríamos deixá-lo preso ao seu veículo? Definitivamente não era uma boa ideia.
De modo que decidimos enfrentar a AT&T. Em 1973, decidimos oferecer uma apresentação deslumbrante e acreditei que a melhor maneira de fazer isso era construindo um telefone e fazendo com que alguém vivenciasse a experiência de falar através de um telefone pessoal realmente portátil. E essa foi a origem do telefone que construímos.

Quando foi estabelecida essa primeira chamada? Para quem ligou?

Pensei que todos conheciam a resposta a essa pergunta! A primeira chamada pública foi estabelecida nas ruas de Nova Iorque. Ligamos para [Joel S. Engel], Presidente do Programa Celular da AT&T. Eu liguei e disse: “Joel, estou te ligando de um telefone celular, um telefone celular real, um autêntico telefone celular portátil de mão.”
Não lembro exatamente o que ele disse, mas, sim, lembro que permaneceu em silêncio por alguns instantes. Suponho que estava rangendo os dentes. Devo dizer que foi muito correto e simplesmente desligou. Quando ele é perguntado sobre isso, diz não se lembrar do fato.

Qual foi a reação ao aparecimento do celular? Foi considerado incrível, impossível, desnecessário?

Veja bem, as pessoas estavam simplesmente deslumbradas pelo conceito. Ninguém podia sequer imaginar que mais da metade da população mundial teria, pelo menos, um desses telefones. Mas, o que mais surpreendia o mundo inteiro, era a ideia da possibilidade de colocar um telefone na orelha, caminhar e fazer uma chamada telefônica.
É importante destacar que, nesse momento, não contávamos sequer com telefones sem fio. Em uma conferência de imprensa oferecida em 1973 dei o telefone a uma jovem jornalista e lhe disse para fazer uma ligação. Um pouco surpresa, ela perguntou: “Posso ligar para minha mãe que está na Austrália?”. Eu respondi: “É claro que sim!” E assim ela o fez.
Essa mulher estava extasiada, não podia imaginar como um telefone tão pequeno podia estabelecer uma chamada com alguém localizado do outro lado do mundo, não podia acreditar que estivesse falando com a sua mãe, que atendeu a ligação. Até os nova-iorquinos mais experientes ficaram de pé e de boca aberta.
O recebimento foi extraordinário. O presidente da nossa empresa estava em Washington no momento em que foi oferecida a segunda demonstração, no início dos anos 80. Visitou o vice-presidente (George H.W. Bush) e lhe mostrou este novo telefone. O vice-presidente se manifestou extremamente surpreso e disse: “Bem, devo mostrá-lo ao Ron.” Posteriormente, estava mostrando o telefone a Ronald Reagan. Também gratamente surpreso, Reagan perguntou: “E por que ainda não o temos?”


Como era o telefone? Quanto custava? Quem o comprou?


O telefone media, aproximadamente, 10 ou 11 polegadas de altura, 1,5 polegadas de largura e 4 polegadas de profundidade. Pesava, aproximadamente, 2,5 libras.


Quanto custava?

Na verdade, não se tratava de um produto comercial, se você tivesse de construir um, ele custaria aproximadamente um milhão de dólares. Até conseguirmos construir um produto comercial 10 anos se passaram. Só em outubro de 1983, começamos a vender o produto, que naquele momento custava USD 3.900. Seria como comprar um telefone hoje por USD 10.000.

É muito dinheiro. Quem comprava esses telefones?

Veja, eu diria que muita gente não comprava. De fato, pouquíssima gente adquiriu um. No começo, pessoas endinheiradas, mas também gente que precisava se deslocar, permanentemente, de um lugar a outro. O produto era dirigido, principalmente, a agentes imobiliários e médicos, que já estavam acostumados a esse tipo de tecnologias porque há algum tempo utilizavam pagers.
Em verdade, tiveram que passar outros sete ou oito anos para que os celulares ganhassem mais popularidade. Hoje, todo mundo acredita que os celulares sempre estiveram entre nós e que sempre possuíram a popularidade atual, mas o boom dos celulares só começou em 1990, quando havia apenas um milhão de celulares no mundo inteiro.


Alguma vez imaginou que o mundo inteiro teria acesso ao celular?


Bem, sempre acreditamos que um dia o mundo inteiro teria um telefone celular, mas não imaginei que eu chegaria a presenciá-lo. E agora temos quase cinco mil milhões de celulares em todo o mundo. Impressionante!
O que você opina sobre o avanço dos telefones celulares, especialmente no que se refere a aplicações, câmeras, etc.?

Posso dizer que, embora alguma vez tenhamos sonhando com isso, nunca imaginamos que todas essas coisas poderiam ser combinadas em um único aparelho. Realmente não tenho certeza de que isso seja positivo. Os telefones tornaram-se dispositivos tão complexos, tão difíceis de utilizar, que as pessoas se perguntam se foram criados para pessoas comuns ou para engenheiros especializados.
Acredito que o que acontecerá, na verdade, é quando essa indústria crescer é que teremos muitas classes de telefones, alguns deles totalmente simples. De fato, minha esposa e eu iniciamos uma empresa e ela projetou o Jitterbug: um telefone extremamente simples.


Que tipos de telefones você possui atualmente?


Estou sentado aqui olhando todos meus telefones. Falo agora com você de um telefone que estou testando para uma empresa européia. Trata-se do Vertu, que pode ser adquirido por USD 5.000. Esse é o custo do modelo mais econômico. Também está disponível em versão “solid-gold”.
De modo que esse telefone, mesmo com a inflação que tivemos durante todos esses anos, custa aproximadamente a metade do que custava seu primeiro telefone celular.
Certamente, e não é nada complexo. Conta com diretório telefônico e é possível navegar em algumas seções da web, mas não é um PDA. Não oferece acesso a correio eletrônico e não possui câmera. É realmente um telefone básico.
Também tenho um Droid da Motorola e um Jitterbug. Sempre estou testando o último modelo lançado pela telefonia celular. Tive um iPhone durante algum tempo, mas dei de presente para meu neto. Tudo isso fisga os jovens. Mas acredito que os telefones Android estão adiantados e suas últimas versões são tão boas quanto o iPhone (ou inclusive melhores).  

 
Fonte: www.underbid.com  
Matéria redigida por Tas Anjarwalla, para CNN

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